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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Geografia - Corrupção e Copa do Mundo

O legado será de destruição... As historinhas da corrupção na construção do estádio de Cuiabá...

Estudo sobre VLT de Cuiabá revela incertezas sobre legado e preocupação quanto a prazo
Vinicius Konchinski 
Uol


Uma das obras mais caras da preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 pode não trazer benefícios a grande parte da população. Devido a “muitas incertezas” relacionadas à construção do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá, que custará R$ 1,47 bilhão ao governo de Mato Grosso, ainda não é possível dizer se a obra vai beneficiar “realmente quem faz uso e depende do transporte público, como os trabalhadores e estudantes.” 

Essa afirmação consta do Estudo de Impacto Ambiental da obra divulgado pelo governo de Mato Grosso. O documento, que tem mais de 1.600 páginas, avalia pontos positivos e negativos da construção da linha de trem urbano. Na parte em que analisa questões socioeconômicas, o estudo põe em dúvida o legado do VLT.

“Em que pesem os possíveis ganhos para solucionar os impasses acerca do transporte público na grande Cuiabá, inclusive ao modernizá-lo, ainda existem muitas incertezas no acesso a informações concretas e oficias para concluir se esses benefícios serão garantidos a população que realmente faz uso e depende do transporte público”, informa o estudo.

Essa análise foi feita pela consultoria ambiental Instituto Naturae e leva a marca do Consórcio VLT Cuiabá, formado pelas empresas Santa Bárbara, CR Almeida, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia Ltda e Astep Engenharia Ltda. Essas empresas são as vencedoras da licitação feita pelo governo de Mato Grosso para a construção do VLT.

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Vencedor de licitação do VLT de Cuiabá era sabido um mês antes; assessor acusa propina
Vinicius Segalla
Uol

Publicações em jornal e site anteciparam resultado de licitação de R$ 1,47 bilhão em Cuiabá

A licitação para definir o consórcio construtor do VLT (veículo leve sobre trilhos) de Cuiabá, atualmente orçado em R$ 1,47 bilhão, tinha o seu vencedor conhecido pelo menos um mês antes da entrega das propostas dos consórcios concorrentes e da abertura dos envelopes.

No dia 18 de abril deste ano, uma mensagem cifrada publicada no jornal Diário de Cuiabá revelou que o Consórcio VLT Cuiabá, formado pelas empresas Santa Bárbara, CR Almeida, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia Ltda e Astep Engenharia Ltda, sairia vencedor do certame. O MP-MT (Ministério Público de Mato Grosso) foi informado sobre a mensagem e como decifrá-la. A abertura dos envelopes foi realizada no dia 15 de maio, confirmando o resultado.

O UOL Esporte também havia tomado conhecimento da informação semanas antes do evento. Em 22 de abril, Rowles Magalhães Pereira da Silva, assessor especial do vice-governador do Estado de Mato Grosso, adiantou que o consórcio VLT Cuiabá venceria a licitação. Rowles afirma ainda que integrantes do governo estadual receberam uma propina da ordem de R$ 80 milhões para viabilizar o negócio, e que o acerto para determinar o vencedor fora articulado entre os três consórcios primeiros colocados na concorrência.

Na última segunda-feira, o MP-MT informou à reportagem que recebera a informação de que a licitação havia sido dirigida. Um denunciante, que tem seu nome mantido sob sigilo pelos promotores, revelou a publicação de uma mensagem cifrada na sessão de classificados do jornal Diário de Cuiabá no dia 18 de abril. O anúncio informava: “Vende-se terreno. Na avenida da Feb, entre as ruas Carlos Roberto Almeida e Santa Bárbara. Em frente ao local vai passar o VLT. CAF. (65) 9001-2012”

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Geografia - Inverno seco

Com El Niño e bloqueio atmosférico, país tem inverno com mais calor e ar seco em 30 anos

Carlos Madeiro
Uol

O calor e o ar seco registrados no inverno têm causado problemas a moradores e ao meio ambiente de quatro regiões do país, em especial Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Além do incômodo às pessoas da alta temperatura e baixa umidade do ar, a associação dos dois fatores tem causado grande número de focos de incêndio e agravado a seca em Estados nordestinos.

CALOR E SECA AUMENTAM EM 1 ANO

Mapa mostra diferença entre vegetação de 2011 e 2012: Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste são as regiões mais afetadas pelo calor e ar seco causados pelo El Niño

Segundo especialistas consultados pelo UOL, a soma de dois fatores explica o fenômeno natural: a volta do El Niño e o deslocamento do campo da pressão atmosférica da parte africana do oceano Atlântico para o Brasil, o que criou um bloqueio à entrada de frentes frias. Por conta dos dois fatores, o inverno este ano já é considerado com a maior associação entre calor e ar em três décadas.

Associado ao forte calor registrado, a vegetação seca aumenta a quantidade de incêndios nas áreas de mata. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a região Nordeste --onde 1.175 municípios estão em situação de emergência por conta da seca— é a mais atingida.

Até 30 de agosto último, foram 28 mil focos na região, 180% a mais que os 10 mil registrados no mesmo período do ano passado. No país, houve o registro de 74 mil incêndios, com aumento de 84% em relação ao mesmo período de 2011.

O Estado com maior número de incêndios no país é o Maranhão, onde 15 mil já foram registrados este ano, com alta de 300% em comparação ao mesmo período de 2011. Proporcionalmente, o Ceará é o Estado que registrou maior crescimento, com alta de 511% (691 casos).

“Todo ano temos focos de incêndio aqui, só que este está bem mais intenso, pois a estiagem é maior. Já fizemos reuniões com Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis) e com o Corpo de Bombeiros para fazermos um planejamento e avaliarmos os possíveis focos de incêndio. É, sem dúvida, um caso que nos preocupa”, afirmou o coronel Hélcio Queiroz, coordenador da Defesa Civil do Ceará.

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Sugestão de livros do dia

Sugestão de hoje é um clássico que completa meio século neste ano.


Thomas Kuhn: o homem que mudou a forma pela qual o mundo vê a ciência

02/09/2012
JOHN NAUGHTON
DO "OBSERVER"

Há 50 anos, em agosto, um dos livros mais influentes do século 20 foi lançado pela University of Chicago Press. Muita gente, se não todo mundo, provavelmente já ouviu falar de seu autor, Thomas Kuhn, ou do livro, "A Estrutura das Revoluções Científicas", e é certo que o pensamento de quase todos nós foi influenciado por suas ideias. O teste dessa afirmação é determinar se você já ouviu ou usou a expressão "mudança de paradigma", provavelmente a mais usada -- e abusada -- nas discussões contemporâneas de mudança organizacional e progresso intelectual. Uma busca pelo termo no Google gera mais de 10 milhões de respostas, e ele consta de não menos de 18,3 mil dos livros à venda na Amazon. O livro de Kuhn também é um dos trabalhos acadêmicos mais citados de todos os tempos. Assim, se uma grande ideia pode ser definida como "viral", é esta.

A verdadeira medida da importância de Kuhn, no entanto, não está na popularidade de um de seus conceitos, mas sim em ele ter mudado praticamente sem ajuda a maneira pela qual pensamos sobre a mais organizada tentativa da humanidade para compreender o mundo. Antes de Kuhn, nossa visão sobre a ciência era dominada por ideias filosóficas sobre como ela deveria se desenvolver ("o método científico"), acompanhadas por uma narrativa heroica de progresso científico como "a adição de novas verdades ao estoque de velhas verdades, ou uma crescente aproximação entre as teorias e a verdade, e, em casos isolados, a correção de passados erros", na definição da "Stanford Encyclopaedia of Philosophy". Antes de Kuhn, em outras palavras, tínhamos o equivalente a uma interpretação whig da história científica, de acordo com a qual pesquisadores, teóricos e cientistas experimentais do passado se haviam envolvido em uma longa marcha, se não rumo à verdade, então ao menos rumo a uma melhor compreensão do mundo natural.

A versão de Kuhn quanto ao desenvolvimento da ciência difere dramaticamente da versão whig. Enquanto o relato padrão via "progresso" firme e cumulativo, ele via descontinuidades -- um conjunto de fases "normais" e "revolucionárias" alternadas nas quais comunidades de especialistas em determinados campos passavam por períodos de tumulto, incerteza e angústia. Essas fases revolucionárias -- por exemplo, a transição da física newtoniana para a mecânica quântica -- correspondem a grandes avanços conceituais e criam as bases para uma fase posterior, de funcionamento "normal". O fato de que sua versão pareça natural agora é, de certa forma, a maior medida de seu sucesso. Mas em 1962 quase tudo era controverso em sua ideia, devido ao desafio que representava a suposições filosóficas fortemente estabelecidas sobre como a ciência não só funcionava, mas deveria funcionar.

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Ecologia - Sobre as fibras de amianto

Está rolando no Supremo Tribunal Federal, além do mensalão, a discussão sobre o banimento das fibras de amianto no Brasil

Sexta-feira, 31 de agosto de 2012

“Todas as fibras de amianto são cancerígenas”, diz pneumologista na audiência pública

do STF

“Todas as fibras de amianto são cancerígenas”, afirmou, nesta sexta-feira, o médico pneumologista da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e professor da Santra Casa da capital paulista Jeferson Benedito Pires de Freitas, durante audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal para debater o uso do amianto no Brasil.

Ele disse que, embora as estatísticas sobre os efeitos do produto sejam deficientes no país, uma vez que praticamente só se baseiam na notificação de casos em indústrias que lidam com o produto, 80% dos casos de mesotelioma - câncer que ocorre nas camadas mesoteliais da pleura, pericárdio, peritônio e da túnica vaginal do testículo, mais comum em homens que em mulheres - são causados pelo amianto.

Não por acaso, segundo ele, dos 977 casos de morbidade dessa doença notificados no país entre 1996 e 2010, a maioria ocorreu nas áreas em que se localizavam indústrias que manipulam amianto, aí se destacando o Estado de São Paulo, que concentrava o maior número delas, seguido pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

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Economista da Unicamp afirma que produção de amianto está em declínio no mundo
Do STF

A professora do Instituto de Economia da Unicamp Ana Lúcia Gonçalves da Silva afirmou, durante a audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal, que, em termos mundiais, a indústria do amianto vem sofrendo um declínio permanente, em função das restrições crescentes adotadas por muitos países. Representando a Associação Brasileira das Indústrias e Distribuidores de Produtos de Fibrocimento, a pesquisadora demonstrou que o amianto já teve produção de 5 milhões de toneladas por ano e que em 2007 foram produzidos menos de 2,5 milhões de toneladas.

Ela afirmou que 99% da produção estão nas mãos de pouquíssimos países, sendo 46% do amianto mundial produzidos pela Rússia, 20% pela China e cerca de 11% pelo Brasil. A economista apresentou um estudo concluído por ela em 2010, com dados sobre produção, comercialização e consumo de amianto, relativos ao ano de 2007/2008. Segundo a pesquisa, houve restrição ou banimento do amianto em 58 países, sendo que 95% do consumo atual de produtos à base de amianto se encontram na Ásia, em países do Leste Europeu e na América Latina.

Brasil

A produção de amianto crisotila na mina de Cana Brava em Minaçu (GO) foi de 254 mil toneladas em 2007, para uma movimentação de 3,5 milhões de toneladas de rocha na extração do produto. Segundo a economista da Unicamp, a fibra de crisotila produzida no Brasil é exportada principalmente para Índia, Indonésia e Tailândia. O Brasil exporta 172 mil toneladas de amianto, que equivalem a 68% do total produzido, sendo apenas 32% reservados para o consumo interno.

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Países no mundo que já baniram o amianto
Da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto

África do Sul2007
Honduras: 2004
Alemanha: 1993
Hungria: 2005
Arábia Saudita: 1998
Irlanda: 2000
Argentina: 2001
Islândia: 1983
Austrália: 2003
Itália: 1992
Áustria: 1990Japão: 2004
Bahrain: 1996
Jordânia: 2005
Bélgica: 1998Kuwait: 1995
Brunei: 1994Látvia(Letônia): 2001
Bulgária: 2005
Lituânia: 2005
Burkina Faso: 1998
Luxemburgo: 2002
Chile: 2001
Malta: 2005
Chipre: 2005Noruega: 1984
Cingapura: 1989Nova Caledônia: 2007
Coréia do Sul: 2007
Nova Zelândia: 2002
Croácia: 2006
Omã: 2001
Dinamarca: 1986
Polônia: 1997
Egito: 2005
Portugal: 2005
Emirados Árabes: 2000
Principado de Mônaco: 1997
Eslováquia: 2005Qatar:  2010
Eslovênia: 1996
Reino Unido: 1999
Espanha: 2002
República Checa: 2005
Estônia: 2005
Romênia: 2005
Finlândia: 1992Suécia: 1986
França: 1996
Suíça: 1989
Grécia: 2005
Taiwan: 2009
Holanda: 1991Uruguai: 2002


Homens manuseando telhas de amianto

Sobre o Amianto e seus efeitos:

O amianto ou asbesto é uma fibra mineral natural sedosa que, por suas propriedades físico-químicas(alta resistência mecânica e às altas temperaturas, incombustibilidade, boa qualidade isolante, durabilidade, flexibilidade, indestrutibilidade, resistente ao ataque de ácidos, álcalis e bactérias, facilidade de ser tecida etc.), abundância na natureza e, principalmente, baixo custo tem sido largamente utilizado na indústria. É extraído fundamentalmente de rochas compostas de silicatos hidratados de magnésio, onde apenas de 5 a 10% se encontram em sua forma fibrosa de interesse comercial. 

Os nomes latino e grego, respectivamente, amianto e asbesto, têm relação com suas principais características físico-químicas, incorruptível e incombustível.
Está presente em abundância na natureza sob duas formas: serpentinas(amianto branco) e anfibólios(amiantos marrom, azul e outros), sendo que a primeira - serpentinas- correspondem a mais de 95% de todas as manifestações geológicas no planeta.
Já foi considerado a seda natural ou o mineral mágico, já que vem sendo utilizado desde os primórdios da civilização, inicialmente para reforçar utensílios cerâmicos, conferindo-os propriedades refratárias. 

Com o advento da Revolução Industrial no século XIX, o amianto foi a matéria-prima escolhida para isolar termicamente as máquinas e equipamentos e foi largamente empregado, atingindo seu apogeu nos esforços das primeiras e segundas guerras mundiais. Dali para frente, as epidemias de adoecimentos e vítimas levaram o mundo "moderno" ao conhecimento e reconhecimento de um dos males industriais do século XX mais estudados em todo o mundo, passando a ser considerado daí em diante a "poeira assassina".
Os grandes produtores mundiais tentaram por muito tempo atribuir toda a malignidade desta matéria-prima ao tipo dos anfibólios, menos de 5% de todo o amianto minerado no mundo, e salvar este negócio lucrativo, atribuindo à crisotila (amianto branco) propriedades benéficas, tanto do ponto de vista da saúde, como sua necessidade para as populações de baixa renda no uso de coberturas e abastecimento de água potável. Hoje a polêmica do bom e mau amianto já está praticamente superada em todo o mundo, tendo em vista a vasta literatura médica mundial existente e fruto da produção acadêmica de todo um século.

O Brasil está entre os cinco maiores produtores de amianto do mundo e é também um grande consumidor, havendo por isto um grande interesse científico a nível mundial sobre nossa situação, quando praticamente todos os países europeus já proibiram seu uso. A maior mina de amianto em exploração no Brasil situa-se no município de Minaçu, no Estado de Goiás e é atualmente administrada pela empresa brasileira Eternit S/A, mas que até recentemente era explorada por grupo franco-suíço(Brasilit e Eternit) em cujos países de origem o amianto está proibido desde o início da década de 90. 

No Brasil, o amianto tem sido empregado em milhares de produtos, principalmente na indústria da construção civil(telhas, caixas d'água de cimento-amianto etc.) e em outros setores e produtos como guarnições de freio(lonas e pastilhas), juntas, gaxetas, revestimentos de discos de embreagem, tecidos, vestimentas especiais, pisos, tintas etc.

O Canadá, segundo maior produtor mundial de amianto, é o maior exportador desta matéria-prima, mas consome muito pouco em seu território(menos de 3%). Para se ter uma idéia de ordem de grandeza e da gravidade da questão para os países pobres: um(a) cidadão(ã) americano(a) se expõe em média a 100g/ano, um(a) canadense a 500 g/ano e um(a) brasileiro(a), mais ou menos, a 1.200g/ano.

Este quadro inicial nos indica uma diferença na produção e consumo do amianto entre os países do Norte e do Sul, em especial, o Brasil, explicada pelo fato de que o amianto é uma fibra comprovadamente cancerígena e que os cidadãos do Norte já não aceitam mais se expor a este risco conhecido. O amianto é um bom exemplo de como estes países transferem a produção a populações que desconhecem os efeitos nocivos deste produto, enquanto para eles buscam outras alternativas menos perigosas, recorrendo à política do duplo-padrão (double-standard): produção e comercialização de produtos proibidos nos países desenvolvidos e liberados para os países em desenvolvimento.

Entre as doenças relacionadas ao amianto estão a asbestose (doença crônica pulmonar de origem ocupacional), cânceres de pulmão e do trato gastrointestinal e o mesotelioma, tumor maligno raro e de prognóstico sombrio, que pode atingir tanto a pleura como o peritônio, e tem um período de latência em torno de 30 anos.

Destas doenças, poucas foram caracterizadas como ocasionadas pela exposição ao amianto no Brasil. Menos de uma centena de casos estão citados em toda a literatura médica nacional do século XX, sendo este um dos mecanismos que tornam estas patologias invisíveis aos olhos da sociedade, fazendo-a crer que a situação brasileira é diferente da de outros países, levando com isto a um protelamento de decisões políticas, entre as quais o seu banimento ou proibição.

Ler mais sobre o amianto na página do Ministério da Saúde:

Mais sobre os efeitos da exposição ao amianto no site da Associação dos Brasileiros Expostos ao Amianto:

Cosmos, de Carl Sagan

Cosmos, capítulo 9 - A vida das estrelas

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Política - Sugestão de evento

Sugestão de livros do dia

Recomendo a leitura do prefácio da versão estadunidense, elaborada por Michel Foucault, chamada "Introdução à vida não-fascista", que pode ser lida aqui: 

Tanto quanto um livro, acredito que o "Anti-Édipo" pode ser lido como um manifesto... um texto de militância. A tradução atual brasileira, feita pelo Prof. Luiz Orlandi, é primorosa.
O ANTI-ÉDIPO - CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA

Este é um livro revolucionário, em múltiplos sentidos. Não só porque seus autores o escreveram sob o influxo de Maio de 68, mas sobretudo porque seu alvo é compreender e libertar a potência revolucionária do desejo, dinamitando as categorias em que a psiquiatria e a psicanálise o enquadraram.
No centro do conflito está a concepção freudiana do inconsciente como teatro e representação — e sua pedra de toque, o drama de Édipo. Para Deleuze e Guattari, ao contrário, o inconsciente não é teatro, mas usina; não é povoado por atores simbólicos, mas por máquinas desejantes; e Édipo, por sua vez, não passa da história de um longo "erro" que bloqueia as forças produtivas do inconsciente, aprisiona-as no sistema da família e assim as remete a um teatro de sombras.
Com agilidade impressionante, O Anti-Édipo combina dispositivos da filosofia, da literatura, da antropologia, da arte, da economia, da ciência, da política e da biologia — além de um sem-número de alusões e citações que correriam o risco de passar despercebidas não fosse o trabalho rigoroso do tradutor Luiz B. L. Orlandi, que dotou esta edição de valiosas notas informativas —, para articular uma crítica radical da cultura que acabou por definir uma das linhas de força do pensamento contemporâneo.
Da contra-capa

Geografia - Cosmos, Carl Sagan

Cosmos, Carl Sagan, Viagens no Espaço e no tempo, episódio 8


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sugestão de livros do dia

Aproveitando que estamos falando de Chico Mendes, uma boa biografia.

Ecologia - Nova seção - Grandes Ecologistas - Chico Mendes

Chico Mendes

Estou estreando uma nova seção do blog, que chamo de Grandes Ecologistas. Tentarei postar toda segunda-feira. Começo, claro, com Chico Mendes, aquele que deveria ter ficado com três Nobéis da Paz seguidos, e não os vendedores de armas de destruição em massa Obama, Carter e Al Gore. Essa biografia tirei do site do Instituto Chico Mendes.

Não consegui encontrar o autor dessa foto, mas a fonte de onde retirei está devidamente citada.

Biografia de 
Francisco Alves Mendes Filho “Chico Mendes”

44 anos antes de Chico Mendes nascer, no Acre, já existiam conflitos de terra. A área que hoje é o estado do Acre foi disputada num confronto armado entre Bolívia e Brasil, os seringueiros por fim, comandado por Plácido de castro, retiraram os 15 milhões de hectares das mãos dos bolivianos. O tratado de Petrópolis, de 1903 deu a posse definitiva do Acre ao Brasil. Os seringais tornaram rica a região do Acre. A riqueza da borracha atraiu muitos nordestinos á região. Um deles foi o avô de Chico Mendes. As famílias que se mudaram do Ceará para a Amazônia tiveram de se adaptar a um meio ambiente totalmente diferente. Úmida, escura e fechada a Amazônia era uma selva de insetos, doenças que se propagavam. Não havia escolas e nem hospitais. Embora o Brasil estivesse ganhando milhões de dólares com imposto sobre a extração da borracha, o governo não reaplicava um centavo na região da Amazônia. Todos os aspectos da vida representavam, então, um novo desafio. As Famílias ficaram dispersas pela floresta, muitas vezes separadas por quatro ou cinco horas de caminhada. Toda família caçava e colhia na floresta o que não podia plantar comprava dos caixeiros-viajantes.

Em 1944, nasce no seringal Porto Rico em Xapuri – Acre - Francisco “Chico” Alves Mendes Filho. Aos nove anos, Chico Mendes já acompanhava seu pai na floresta; Aos onze tornou-se seringueiro em tempo integral, nesta mesma época, a família mudou-se para a colocação Pote Seco no seringal Equador próximo à cachoeira, durante o dia Chico cortava seringa, caçava e a noite Chico lia alguns livros e se inteirava das noticias através de jornais quase sempre com atraso de semanas. Com doze anos Chico Mendes conheceu Euclides Fernandes Távora, aliado de Carlos Prestes. Euclides havia participado da intentona comunista em 1935, preso, conseguiu fugir e escondeu-se no meio da floresta Amazônica perto da colocação dos Mendes. Foi com Euclides Távora que Chico começou a entender o significado da exploração dos seringueiros, a luta de classes sempre com referencias a Lênin e Marx.

As aulas de Távora tiveram uma interrupção quando Chico estava com 17 anos e teve que trabalhar horas extras para sustentar sua família, pois sua mãe e irmão mais velho morreram. O aprendizado político de Chico com Távora foi retomado nos anos seguintes, Távora conseguiu um rádio, onde juntos Távora e Chico Mendes ouviam os noticiários em português da central de Moscou, BBC de Londres e Voz da América. Analisando os fatos e as noticias, Távora infundia em Chico a consciência da geopolítica e o lugar do Brasil no jogo de tração entre comunismo e capitalismo. Com Távora, Chico aprendeu não apenas a ler em jornais, mas também a pensar e recolher elementos para compreender o país e a condição dos seringueiros. E foi assim que teve inicio, embora isoladamente, um trabalho incessante de conseguir a autonomia dos seringueiros.

Com a chegada do movimento sindical ao Acre por volta de 1974, Chico encontrou um aliado forte para organizar as bases, difundir suas idéias e fortalecer o movimento. Chico Participou do primeiro curso da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), em 1975, sobre os direitos da terra e organização sindical, onde causou forte impressão, pois estava a um nível bem superior a outros trabalhadores, pois além de ler e escrever bem, conhecia os fundamentos da filosofia sindical.


A igreja católica teve importante papel na trajetória de Chico Mendes, foi militando nas comunidades eclesiais de base que Chico cultivou lideranças e um combativo senso de propósito entre os isolados habitantes da floresta.

A ocupação intensiva gerenciada pelo governo na Amazônia na década de setenta atingi também o Acre. Agricultores e pecuaristas oriundos do sul do país chegam ao Acre para explorar a terra, substituindo os seringais, derrubando a floresta para a implantação de fazendas de gado. Como conseqüência das derrubadas, 10 mil famílias de seringueiros sem trabalho acabaram por virar favelado nas periferias de Rio Branco, capital do Acre, ou na Bolívia.

Conforme crescia a especulação das terras no Acre no final dos anos setenta, os trabalhadores começaram a se organizar para a tarefa de impedir os cortes.

Chico Mendes agora passa a ser visto quase sempre nas estradas da floresta, recrutando os seringueiros a se sindicalizarem e participarem dos empates. Nos empates, os seringueiros, acompanhados de mulheres e crianças, colocavam-se entre as árvores e os tratores e motosserras para impedir a destruição das florestas do Acre.

No inicio Chico encontrou dificuldade em convencer as pessoas a se sindicalizarem, por que os fazendeiros espalharam rumores de que a operação possuía uma inspiração comunista; Mas as comunidades de base deram-lhe uma estrutura e ele acabou por encontrar pessoas conscientes de seus direitos básicos e da possibilidade de determinar seu próprio destino. Chico participou ativamente da implantação do Projeto seringueiro, onde consistia na construção de escolas nos seringais para alfabetizar os seringueiros e, utilizando uma metodologia inovadora, conscientizá-los dos seus direitos.

A convite de um comerciante da Cachoeira, Guilherme Zaire, Chico Mendes sai candidato a vereador em Xapuri pelo MDB, no ano de 1977; No começo, os líderes sindicais rejeitam a idéia, mas Chico acabou por convencê-los de que seria mais fácil criar o sindicato rural em Xapuri se ele fosse vereador. Chico foi eleito a vereador e, logo depois, foi fundado o novo sindicato dos trabalhadores rurais em xapuri.

Chico Mendes dedicava agora todo seu tempo na organização dos seringueiros para o 1º encontro nacional, a comunidade internacional enfim começava a se sensibilizar e se articular para exigir do governo brasileiro uma postura mais rígida com relação às queimadas e desmatamentos na Amazônia. O conflito entre os dois modelos de desenvolvimento, um baseado na pecuária extensiva e outro baseado no extrativismo dos recursos florestais parecia que caminhava para um desfecho de entendimento entre as partes. Chico Mendes era figura mais atuante no movimento sindical e ambientalista. Porém Chico acreditava que uma atuação político-partidária seria uma forma de fortalecer o movimento e garantir as melhorias para os seringueiros. Depois de uma passagem mal sucedida pelo MDB, Chico Mendes ingressa no Partido dos Trabalhadores, tornando-se um dos fundadores do partido no Acre. Amigo pessoal do até então deputado federal por São Paulo, Luis Inácio Lula da Silva, Chico conseguiu projeção na esquerda brasileira, fato que o credenciou a candidatar-se a deputado estadual no Acre pelo partido dos trabalhadores e mais tarde a prefeito de Xapuri pelo mesmo partido sendo derrotado nas duas oportunidades.

Todavia Chico Mendes não se sentiu derrotado; Ele não estava sozinho. Com seu discurso cativante e o respaldo de quem viverá os últimos 12 anos na mobilização e criação de sindicatos rurais e movimentos sindicais, Chico conseguiu aliados importantes no Acre e no Brasil. Uma dessas aliadas era Marina Silva então monitora das comunidades eclesiais de base da igreja católica. Era constante ver Chico e Marina pelos seringais do Acre, num esforço pelo fortalecimento das escolas rurais e do projeto seringueiro; Eles visitavam as escolas e falavam aos seringueiros da necessidade de resistir às investidas, cada vez mais constantes e violentas, dos pecuaristas na região. As conquistas alcançadas pelo movimento dos seringueiros tendo a frente Chico Mendes dominavam o cenário político-ambiental na Europa, nos Estados Unidos e no Sudeste brasileiro.

Em Outubro de 1985, Chico Mendes e outras lideranças, com o apoio da antropóloga Mary Allegretti organizaram o 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, onde formularam a idéia das reservas extrativistas, como forma de resguardar os direitos dos seringueiros sobre a floresta.
A partir do encontro nacional, a luta de Chico Mendes pela preservação do modo de vida dos seringueiros e conservação da floresta amazônica, chamou a atenção do mundo. Tanto que em Julho de 1987 Chico Mendes recebe o prêmio global 500, concedido pela ONU às personalidades que mais se destacaram na defesa do meio ambiente. Além da medalha Sociedade para um mundo melhor e outros no Brasil e exterior.

Ao final dos anos 80, Xapuri cheirava a pólvora, os conflitos pela posse da terra entre seringueiros e pecuaristas chegavam então ao seu ápice, as ameaças a Chico Mendes já eram constantes e na noite do dia 22 de dezembro de 1988 sete dias após ter completado 44 anos, ao sair para tomar banho em sua humilde casa Chico é alvejado com um tiro no peito na presença de sua esposa Ilzamar e de seus filhos Elenira e Sandino. Seu sangue foi derramado na terra e floresce nos corações dos que ainda sonham com a preservação da Amazônia.

“Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário Então eu quero viver.”
Ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia.
Chico Mendes em entrevista 1988.

Geografia - Cosmos, de Carl Sagan

Cosmos, de Carl Sagan, episódio 7 - A espinha dorsal da noite


Educação - Ranking Universitário da Folha.

É para rir... O jornal Folha de S. Paulo coloca no mesmo patamar a qualidade de ensino, a inovação, a pesquisa acadêmica e uma certa avaliação de mercado, que analisa 1 curso na área ou de direito, ou administração e pedagogia, a inserção dos graduados de um desses cursos no mercado, e monta uma classificação como se tivesse abrangendo todo o conjunto das universidades. 
Estou postando aqui pois é necessário saber como essa pesquisa vai se fixar no senso comum, mas ela não deve ser levada muito a sério... Mais adiante colocarei umas classificações internacionais mais sérias...


Apresentação

Para criar o RUF, a Folha definiu uma metodologia inédita, baseada em rankings internacionais, como o ranking global THE (Times Higher Education), o QS (Quacquarelli Symonds) e a ARWU (ranking de Xangai), e adaptada ao contexto brasileiro.

Foram classificadas 232 instituições de ensino superior brasileiras, sendo 41 faculdades e centros universitários e 191 universidades --instituições com foco em pesquisa e autonomia de ensino, conforme definição do MEC.

Já os indicadores de reputação no mercado de trabalho e de qualidade de ensino foram desenvolvidos a partir de entrevistas feitas pelo Datafolha com pesquisadores e com executivos de Recursos Humanos.
Apresentação

Fontes 
Foram consultados 597 pesquisadores com grande produção científica, de acordo com o CNPq, a maior agência de fomento à ciência do país. Também foram ouvidos 1.212 responsáveis pelo setor de Recursos Humanos de empresas, escolas e outras instituições que contratam profissionais nos 20 cursos que mais formam no país, como administração e direito. Os dois grupos, o de pesquisadores e o de especialistas em mercado de trabalho, listaram as instituições de ensino consideradas melhores por eles - universidades, faculdades ou centros universitários - na área em que atuam profissionalmente. As instituições que tiveram pelo menos três menções nessas entrevistas feitas pelo Datafolha foram consideradas na classificação.

Coordenação 
A pesquisa foi supervisionada pelo bioquímico da USP e especialista em análise de produção científica Rogério Meneghini. Ele também é coordenador acadêmico da base Scielo, que reúne 260 periódicos científicos nacionais, incluídos no levantamento do RUF para dar um tempero local à métrica.
Para ler (e rir) mais
http://ruf.folha.uol.com.br/



domingo, 2 de setembro de 2012

Geografia-Política - As forças armadas e a questão racial

E na semana da "independência" (com i minúsculo mesmo)
Cotas para generais? Um riso sarcástico...

Forças Armadas passam ao largo de discussão sobre inclusão racial
Luis Felipe de Alencastro
Folha de S.Paulo

Nas vésperas do Sete de Setembro, cabe lembrar as perspectivas sobre as Forças Armadas inscritas no "Livro Branco da Defesa Nacional" (LBDN), apresentado em junho à presidente da República e ao Congresso.

Organizado pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, o Livro Branco constitui uma iniciativa original. Tanto na forma quanto no seu conteúdo. Faltou, na imprensa e nos meios políticos e universitários, um debate à altura das análises elaboradas no LBDN. Pela primeira vez, a reflexão sobre as Forças Armadas e a diplomacia estão associadas num documento governamental que analisa as relações de força no mundo atual.

Resta que o LBDN não aborda um problema importante -- de repercussão nacional e internacional --, que Amorim ajudou a começar a resolver no Itamaraty. Problema com o qual ele e seus sucessores no atual ministério também terão que lidar: a discriminação racial não escrita que exclui negros e mulatos do alto oficialato das Três Armas.



"A Batalha dos Guararapes" (1879), de Vítor Meireles, narra a formação mítica de um Exército multirracial que lutou contra os holandeses em 1648-49
"A Batalha dos Guararapes" (1879), de Vítor Meireles, narra a formação mítica de um Exército multirracial que lutou contra os holandeses em 1648-49

No Itamaraty, o assunto foi abafado durante muito tempo. Entrou pela primeira vez em pauta quando o presidente Jânio Quadros, em 1961, na época da independência das colônias africanas, nomeou o escritor Raimundo Souza Dantas (1923-2002) embaixador em Gana.

Primeiro e único embaixador negro desde a Independência, Souza Dantas escreveu "África Difícil, Missão Condenada: Diário" (1965), que narra a discriminação de que foi vítima, por parte de intelectuais e diplomatas brasileiros, no seu posto na África. Quando o livro saiu, a ditadura já sufocava o debate sobre esse e outros assuntos.

Agindo como pau-mandado do colonialismo português, o Itamaraty perseguiu o então diplomata e futuro dicionarista Antônio Houaiss (1915-99). Membro da Comissão de Descolonização da ONU, Houaiss dialogava com os movimentos independentistas da África lusófona. Como narra o embaixador Ovídio de Andrade Melo, em seu livro "Recordações de um Removedor de Mofo no Itamaraty" (2009), a pedido de setores salazaristas, Houaiss foi cassado e demitido do Itamaraty, acusado de ser "inimigo de Portugal".

Ler mais

Sugestões de livros do dia

De um dos maiores pensadores da Ecologia Política e da Educação Ambiental no Brasil, Valdo Barcelos, "Império do Terror: um olhar ecologista". 

Neste livro, Valdo Barcelos faz uma reflexão sobre uma das formas de violência que está nos levando ao desassossego e, ao mesmo tempo, a exigir uma tomada de atitude intelectual radical. Refere-se especialmente ao terrorismo de grupos e ao terrorismo de Estado. O autor defende a idéia de que nos tempos de pós-modernidade em que vivemos, a resistência tanto a um como a outro tipo de terrorismo está condicionada a fatores internos e externos das nações. Cita como exemplo a inibição do ímpeto intervencionista dos EUA - o terrorismo de Estado só cessará se houver uma reformulação das políticas internas das demais nações do planeta, que tenham como objetivo a construção de uma sociedade social e ecologicamente justa. Por outro lado, a inibição do terrorismo de grupos está na dependência da construção de uma ampla rede de solidariedade entre as nações do planeta.
Da contra-capa

Geografia - Cosmos de Carl Sagan

E continuando nossa jornada pelo espaço, Cosmos, de Carl Sagan, parte 6.


Ecologia - Tradução de sonzeiras/barulheiras

Essa não era a primeira opção dessa semana, mas o blogueiro anda meio anti-humano... Espero que essa fase passe.
Mas o som é fantástico, e diz bastante. Da banda polonesa Decapitated.


Decapitated - Nihility (Anti-Human Manifesto)
You are the ones that will free us from colours
That will free us from words
Squeezed in the rock of existence
We never experienced anything else
Mind, moment, spark-there's nothing
The weight of this world breaks my spine
So maybe emptiness completes existence?
Does something that never was exist?
Destroy, change- you are unable
Hatred, fear, frustration- laughter
Is it possible to be in the temple of nothingness?
World is you, you're the eternal everything
Never-always, one- nothing
You think that destruction is the way
Let your own pain be the answer
For nothingness, for non-existence in emptiness
Being for not being, religion of black hole
Did we find already:
Can something that never was give us an answer:
What you truly hate is a part of you
World without move, we flow in substance
Devoured by perfect entirety
Homogenous millions of perfect shape

Nihility (Manifesto Anti-Humano)
Vocês são aqueles que nos libertarão das cores
Que nos libertarão das palavras
Espremidos na rocha de existência
Nós nunca experimentamos nada
Mente, momento, faísca, não há nada
O peso deste mundo quebra minha espinha
Então, talvez o vazio completa a existência?
Existe algo que nunca foi?
Destruir, alterar, você é incapaz
Ódio, medo, frustração, risos
É possível estar no templo do nada?
O Mundo é você, você é o eterno tudo
Nunca - sempre, único - nada
Você acha que a destruição é o caminho
Deixe a sua própria dor ser a resposta
Para o nada, para não-existência no vazio
Sendo por não ser, a religião do buraco negro
Será que já encontramos:
Pode algo que nunca foi nos dar uma resposta:
O que você realmente odeia é uma parte de você
Mundo sem movimento, nós fluímos no substancial,
Devorado pela totalidade perfeita
Milhões homogeneos de forma perfeita





sábado, 1 de setembro de 2012

Ecologia - Política - A desfaunação da Mata Atlantica

Eu começo o mês de setembro bastante incomodado... para não dizer irritado...
Posto uma reportagem do mês de agosto (postei a reportagem inteira) sobre a desfaunação da Mata Atlântica brasileira. Somente 4 espécies ainda se mantém "abundantes" nas matas tropicais brasileiras, não tem mais onça, não tem mais anta, não tem mais tamanduá... Não dá... Não dá...
Posto também o artigo, em inglês, que mostra o estudo completo. Da revista Plos ONE

Mata atlântica foi 'esvaziada' de mamíferos, diz estudo

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE "CIÊNCIA + SAÚDE" 
Folha.com

O termo parece um palavrão e, de fato, a situação que descreve não é nada bonita: "desfaunação". Ou seja, o sumiço da fauna -- um fenômeno que parece ter afetado 80% da mata atlântica que ainda resta numa região vasta, que vai do leste de Minas Gerais a Sergipe.

Nessas regiões, uma hecatombe parece ter exterminado quase todos os mamíferos pesando mais de 5 kg -- mesmo quando a floresta propriamente dita, à primeira vista, está intacta, mostra um novo estudo, que acaba de ser publicado na revista científica "PLoS ONE".

A pesquisa, feita por uma equipe que inclui os brasileiros Gustavo Canale, da Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso) em Tangará da Serra, Carlos Peres, da Universidade de East Anglia (Reino Unido), Cassiano Gatto (Inpa), Carlos Guidorizzi (ICMBio) e Cecília Kierulff (Instituto Pri-Matas), envolveu um levantamento numa área de mais de 250 mil km 2 de mata atlântica em Minas Gerais, Bahia e Sergipe.

Com ajuda de imagens de satélite e aparelhos de GPS, os pesquisadores mapearam os principais fragmentos de floresta nessa região --cerca de 200. A equipe, então, fez levantamentos rápidos da fauna em cerca de 50 deles. Nos demais casos, entrevistaram moradores da zona rural de cada região, os quais estivessem habituados a visitar a mata e morassem havia anos perto da floresta, em busca de informações sobre as espécies que eles costumavam ver nos fragmentos de floresta.

O alvo da equipe era um conjunto de 18 espécies de mamíferos de porte grande e médio. São animais como onças, antas, veados, tamanduás e macacos-pregos. Um dos critérios para escolher esses bichos específicos como indicadores do estado da fauna nos fragmentos de mata, explicou Gustavo Canale à Folha, foi o fato de que seria fácil para os moradores identificá-los numa conversa com os cientistas.

"A gente queria evitar espécies mais crípticas [de identificação mais difícil] ou ariscas, como gatos-do-mato ou jaguatiricas", afirma ele. "Também são bichos bastante caçados, o que leva os moradores a procurá-los mais na mata. E também são relativamente pouco exigentes em termos de ambiente."

RESTAM QUATRO

O resultado não foi dos mais auspiciosos: das 18 espécies de mamíferos, só quatro, em média, ainda ocorrem por fragmento de mata com tamanho entre 50 hectares e 5.000 hectares.

Mesmo em trechos de floresta considerados muito grandes para o estado atual da mata atlântica (os com mais de 5.000 hectares), só sete espécies, em média, ainda estavam presentes.

Na prática, isso significa que bichos como onças-pintadas, queixadas (um tipo de porco-do-mato), tamanduás-bandeiras, antas e muriquis (o maior macaco das Américas) estão praticamente extintos nesse pedaços importantes da mata atlântica.

Preguiças, pacas, bugios e raposas se saem só um pouco melhor. Os únicos mamíferos a resistirem em mais de metade dos fragmentos estudados são os saguis.

"Uma coisa interessante que nós vimos é que, no caso dos remanescentes florestais, tamanho não é documento", afirma Canale. "A gente esperaria que, quanto maior o fragmento, maior a chance de ele preservar uma diversidade mais ampla de espécies, mas não é o que acontece."

A explicação para o estrago até nos remanescentes florestais maiores, segundo os pesquisadores, é relativamente simples: mesmo quando a mata não era derrubada, a caça nessas regiões continuou e ainda hoje é muito comum, o que acabou com as espécies grandes.

A situação só é diferente, afirmam eles, nos fragmentos que também são áreas protegidas por lei. Nesses lugares, mostra o estudo, a maioria das espécies ainda pode ser encontrada -o que, para os biólogos, indica que é preciso criar mais áreas protegidas de forma efetiva.

DIFERENÇAS REGIONAIS?

Para o biólogo da Unemat, é difícil saber se essa situação desoladora é a mesma em outras regiões da mata atlântica, no Sudeste e no Sul, por exemplo.

"Todo mundo tinha a sensação de que essas espécies estavam dançando na mata atlântica do Nordeste. O que o nosso trabalho é quantificar isso. Não existe uma quantificação comparável para outras regiões, mas pode ser que a situação seja um pouco melhor no Sudeste por razões históricas, pelo tipo de caça preferida, por exemplo. A gente sente que a pressão de caça no Nordeste é mais intensa -- em vez de comer só porco-do-mato ou veado, por exemplo, as pessoas também comem preguiça, comem macaco", explica.


Pervasive Defaunation of Forest Remnants in a Tropical Biodiversity Hotspot

Gustavo Canale, da Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso)
Carlos Peres, da Universidade de East Anglia (Reino Unido), 
Cassiano Gatto (Inpa), 
Carlos Guidorizzi (ICMBio)
Cecília Kierulff (Instituto Pri-Matas)

Abstract
Tropical deforestation and forest fragmentation are among the most important biodiversity conservation issues worldwide, yet local extinctions of millions of animal and plant populations stranded in unprotected forest remnants remain poorly explained. Here, we report unprecedented rates of local extinctions of medium to large-bodied mammals in one of the world's most important tropical biodiversity hotspots. We scrutinized 8,846 person-years of local knowledge to derive patch occupancy data for 18 mammal species within 196 forest patches across a 252,669-km2study region of the Brazilian Atlantic Forest. We uncovered a staggering rate of local extinctions in the mammal fauna, with only 767 from a possible 3,528 populations still persisting. On average, forest patches retained 3.9 out of 18 potential species occupancies, and geographic ranges had contracted to 0–14.4% of their former distributions, including five large-bodied species that had been extirpated at a regional scale. Forest fragments were highly accessible to hunters and exposed to edge effects and fires, thereby severely diminishing the predictive power of species-area relationships, with the power model explaining only ~9% of the variation in species richness per patch. Hence, conventional species-area curves provided over-optimistic estimates of species persistence in that most forest fragments had lost species at a much faster rate than predicted by habitat loss alone.

Ler o artigo inteiro na página da Revista Plos One:

Sugestão de livros do dia

Independentemente se concordamos com o termo pós-moderno, ou pós-modernidade, para falarmos de contemporaneidade, Condição Pós-Moderna de David Harvey nos ajuda bastante a tomarmos uma posição sobre o tema. Foi um dos primeiros que li na faculdade, e é, no mínimo, bastante didático (não sei se é elogio ou não...)

Geografia - Cosmos

Cosmos, de Carl Sagan, parte 5

Ecologia - Sugestões de eventos




Imagens do dia







Ecologia - Meio ambiente por inteiro

Realizado pela TV Justiça, o programa Meio Ambiente por inteiro debate as mais diversas áreas e temas. Eu gostei bastante, e vale a pena.

Ecologia - Tráfico de animais

No programa Operação de Risco, da Rede TV, no dia 31/08/2012, foi mostrada uma operação que apreendeu centenas de aves silvestres confinadas em gaiolas minúsculas, em uma feira livre na cidade de São Paulo. A emissora ainda não disponibilizou o vídeo no Youtube, mas estou postando abaixo uma série de vídeos sobre o tráfico de animais no Brasil, mais uma vez. Não é possível que esse tipo de coisa ainda continue. As matas brasileiras estão se tornando grandes áreas vazias, pois os animais estão se extinguindo rapidamente devido à caça, tráfico, e ao próprio prejuízo na cadeia alimentar.
Mas tem que continuar a denúncia, a pressão sobre o Estado e o combate a esse que, de acordo com o blogueiro que vos fala, o pior dos crimes cometido pelos seres humanos.



Tráfico de animais - Programa STJ Cidado parte 1

Programa STJ Cidado parte 2

Programa Meio Ambiente por inteiro - Tráfico de animais - parte 1

Programa Meio Ambiente por Inteiro - Tráfico de animais - parte 2

Ecologia - Cota zero para caça às baleias

Instituto Sea Shepherd Brasil mantém posicionamento sobre a caça de baleias: COTA ZERO

De Sea Shepherd Brasil
31 AGOSTO 2012

Por José Truda Palazzo Jr., Diretor do Centro de Conservação Cetácea e Luiz André Albuquerque, Diretor Regional do Instituto Sea Shepherd Brasil – Núcleo Rio de Janeiro

Em reunião realizada nesta terça-feira, dia 28/08, em Brasília, os Ministérios de Relações Exteriores e do Meio Ambiente discutiram com representantes da sociedade civil os rumos da atuação do Brasil na Comissão Internacional da Baleia e as ações necessárias para assegurar a conservação de baleias e golfinhos no País.

Participaram da reunião, entre outros funcionários do governo, o Comissário do Brasil na Comissão Internacional da Baleia, Embaixador Marcos Vinícius Pinta Gama; o Chefe da Divisão do Mar, Antártida e Espaço do Ministério das Relações Exteriores, Ministro Fábio Vaz Pitalugfa; o Secretário Nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Cavalcanti; e a Gerente de Biodioversidade Aquática do Ministério do Meio Ambiente, Monica Brick Peres, além do Diretor de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Marcelo Marcelino de Oliveira.

Estiveram presentes, como representantes da sociedade civil, a convite do Ministério das Relações Exteriores, o Conselheiro do Instituto Sea Shepherd Brasil, Luiz André Albuquerque, e o Diretor do Centro de Conservação Cetácea, José Truda Palazzo Jr.

Ressaltando a importância de manter a coordenação com os países da América Latina, o Embaixador Pinta Gama propôs ações para que o Brasil, nos próximos dois anos, angarie o apoio necessário à aprovação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, que já conta com 65% dos votos na Comissão Internacional da Baleia, mas depende de 75% dos votos para sua efetivação.

Já o Secretário Cavalcanti enfatizou a necessidade de ações para combater a dita caça “científica” do Japão, tanto no plano diplomático como de convencimento dentro daquele país através da sociedade civil.

Os representantes das ONGs, apoiando as propostas de ação apresentadas, ressaltaram que, no entanto, o Brasil precisa fazer seu dever de casa em relação à conservação dos golfinhos e baleias. A não efetivação das novas áreas protegidas no Banco dos Abrolhos, e a continuidade das matanças de golfinhos – como do boto vermelho na Amazônia para a pesca da piracatinga, dos tucuxis na costa Norte para isca de tubarão e das toninhas no Sul e Sudeste pela pesca predatória com redes – são verdadeiros “calcanhares de Aquiles” da política brasileira no tema, que precisam ser urgentemente resolvidos.

De forma uníssona, também mantiveram firme o posicionamento pela “COTA ZERO” da caça de baleias, destacando que o Brasil possui a Lei Federal nº 7.643/87, chamada de Lei dos Cetáceos, que criminaliza o simples molestamento deste animais, fato este que deveria servir de impulso para que o País assumisse uma posição de liderança na Comissão Internacional da Baleia.

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